O teletrabalho ou trabalho remoto era utilizado, no Poder Executivo Federal, apenas em projeto piloto de órgãos como CGU e Ministério da Economia. Em outros poderes/instituições, ele já era adotado de modo mais frequente, como em órgãos do judiciário federal e TCU. O que assistimos nessa pandemia foi um setor público se reinventando, mais eficiente e eficaz.

Segundo o ME – Ministério da Economia-, a redução de gastos, no período de pandemia, chegou a 2 bilhões de reais apenas na APF – Administração Pública Federal. Os gastos com energia elétrica foram reduzidos em 22%, R$ 199,6 milhões foi a redução nos gastos com diárias, passagens e transporte de servidores, no Distrito Federal, nos meses de março, abril e maio de 2020, as viagens foram substituídas por vídeo conferência.

O ME divulgou que, só no Poder Executivo, são 360 mil servidores em trabalho remoto (sendo 270 mil de universidades e institutos federais), o que representa 62% da força de trabalho do Executivo. Uma mudança de cultura para muitos servidores. Para quem já era acostumado a trabalhar com prazos, metas e produtividade, não sentiu muito a troca do relógio de ponto pelo monitoramento e produtividade implementados pelo trabalho remoto.

Por outro lado, a saúde física e mental do servidor público, nesse “novo normal”, dispensam mais atenção. Sabemos que, em casa, nem todos tem um local com estrutura para home office, as crianças não entendem que os pais estão trabalhando, as atividades “de casa” parecem requerer mais imediatismo, alguns chefes não respeitam horário de expediente com cobranças “fora de hora”, até aumentando o número de assédio moral, etc. Estes são alguns dos “novos” desafios que o setor público terá que enfrentar.

O trabalho remoto em órgãos que já haviam implantado o sistema, antes da pandemia, mostram que os resultados são positivos, mas isso foi efetuado com planejamento e diálogo entre administração e servidores. Hoje, ele veio para ficar, isso é fato, mas o setor público em geral (município, estado e união) precisa repensar as relação e condições de trabalho e produtividade dos servidores. Estudos recentes já mostram o crescimento do estresse e ansiedade nas famílias onde marido e mulher estão em trabalho remoto e as crianças em aulas EAD ou sem aulas.


Kleber Marques

É Contador Público Federal no Ministério da Economia – possui graduação em Ciências Contábeis e Especialização em Perícia Contábil. Possui experiência na área de CASP, Orçamento, Finanças e Administração Pública. Foi responsável pela elaboração e divulgação dos RCPG – Relatórios Contábeis de Propósito Geral do IFPB. Em recentes acórdãos nº 1661/2018 550/2018 e nº 2.377/2017 – TCU – Plenário, o Tribunal de Contas da União, mencionou seu trabalho. A pedido do TCU elaborou 2 metodologias que auxiliam no combate à fraude e corrupção, são elas: a Metodologia do Poder de Compra e a Metodologia do Poder de Barganha.

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